Papa Roach faz uma visita às suas origens com o novo “Crooked Teeth”

Por Ygor Gomes

Com quase duas décadas de existência, o Papa Roach lançou no último dia 19 seu novo álbum de estúdio, “Crooked Teeth”.

A banda vem tentando se reposicionar na indústria desde seu o álbum, “F.E.A.R” em 2015. O CD não recebeu muita atenção na época e foi definido como fraco pela maioria da mídia especializada. O Papa Roach sumiu por um tempo após esse lançamento, retornando aos poucos no ano passado com uma turnê mundial e a produção do novo álbum.

Crooked Teeth chega como uma forma da banda se renovar pois, como nas palavras do próprio Jacoby Shaddix, vocalista da banda, em entrevista recente a uma rádio americana , o som deles estava se tornando repetitivo e eles precisavam sair um pouco da caixa e fazer algo diferente.

Com esse álbum a banda volta um pouco as suas origens produzindo um bom “rap-rock”, em musicas como “Break The Fall“, “Born For Greatness” e “Sunrise Trailer Park” que conta com a participação do rapper Machine Gun Kelly. O disco tem uma pegada muito mais pesada que seu antecessor e não deixa cair o ritmo em nenhum momento. A balada “Periscope“, que tem a participação da cantora Skylar Grey, que é um momento de transição do CD.

No contexto é um bom trabalho, porém não mostra uma verdadeira mudança na carreira da banda. O álbum é entregue como uma produção mais voltada para os fãs que já conhecem e acompanham o grupo há algum tempo. O disco e sua versão Deluxe vêm com uma apresentação ao vivo realizada no ano passado nos Estados Unidos, que vem como um bom bônus mas deixa a desejar na qualidade do som.

Podemos destacar desse trabalho as faixas “My Medication“, “None of the Above“, a faixa-título “Crooked Teeth” e “Help“, algumas dessa já haviam sido divulgadas antes e são uma ótima pedida para começar a descobrir a banda.

Resenha: O Autossuficiente Ed Sheeran @Jeunesse Arena

Por Lorena Nascimento | @lorenallori 

Após dois anos de sua última vinda ao Brasil, com a X Tour, o cantor britânico Ed Sheeran voltou com tudo! Na última quinta-feira, 25 de Maio, o ruivinho subiu no palco da Jeunesse Arena, e levou os fãs (e até os não tão fãs: o/) à cantarem e pularem por quase duas horas.

Com o lançamento de seu terceiro álbum, “÷ (Divide)”, em março deste ano, o cantor e compositor de apenas 26 anos, trouxe em sua nova turnê, além dos novos hits, sucessos de seus outros dois álbuns: “X (Multiply)”, lançado em 2014, e “+ (Plus)”, seu álbum de estreia (2011).

Um fundo todo preto, um pedestal e um microfone.

Pensei: “será que é só isso?”

Assim que Ed Sheeran subiu ao palco, já foi logo tocando (e gravando) os acordes de “Castle On The Hill”, primeiro single lançado do “÷”. Sucesso! Durante 60 segundos, enquanto ele fazia o papel de toda uma banda, as fãs gritavam, empolgadas.

Quem mais saiu do show assim: 😲 ?! 😅🙌 Thinking Out Loud #CoberturaRiff #EdSheeran @teddysphotos

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Entre uma música e outra, algumas ~tímidas~ interações com o público, mas suficientes para tirar o fôlego das adolescentes (que eram a maioria).

Falando em tirar o fôlego, um dos pontos altos do show foi quando Sheeran tocou uma versão de “Bloodstream” (sim, eu fiz o dever de casa e ouvi o setlist até decorar tudo =p), e mostrou todo seu talento e autossuficiência. O cara fica sozinho num palco, só ele, um microfone e alguns violões, e não deixa nada a desejar!

Outro ponto alto foram os mega telões, com projeções incríveis, que os fizeram sair do óbvio, e realmente deram toda a diferença no clima do show.

E, pra quem como eu, checou o setlist e achava que não teria nenhuma surpresinha na noite, também se enganou. No meio do show, Sheeran puxou a clássica “Feeling Good”, da Nina Simone (que, pra minha surpresa, nem só os mais velhos cantaram junto), seguida da linda “I See Fire”, que faz parte da trilha sonora do filme “O Hobbit”. Mais pontos pro ruivinho!

Após cantar sucessos como “Give Me Love”, “Photograph”, “Thinking Out Loud” e “Sing”, Ed Sheeran voltou pro bis, vestindo uma camisa do Brasil e, claro, deixando os fãs ainda mais eufóricos pra cantar a tão esperada “Shape Of You”.

A fã Juliana Oliveto, que estava na plateia, sentiu o mesmo que eu: “Com voz, muitos violões e um apoio de recursos de áudio, ele conseguiu levantar e encantar a plateia de forma que ter ou não uma banda não fez diferença. O telão foi um show à parte e ajudou a tornar a atmosfera do show ainda mais especial. Foi uma noite inesquecível, e vi gente de todas as idades saindo encantada e sem voz.”

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Saí do show com uma certeza: Ed Sheeran conquistou novos fãs, um espacinho maior na minha playlist, e no coração dos pais e mães que caíram lá de pára-quedas, mas cantaram e dançaram ~quase~ mais que os filhos! ;D

Ed Sheeran Setlist Jeunesse Arena, Rio de Janeiro, Brazil 2017, ÷

Ouça! Depois de dois anos sem lançamentos o NX Zero divulga novas músicas

         Por Thaís Huguenin

Sem lançar músicas inéditas desde Norte (2015), O Nx Zero divulgou nesta sexta, 26/05, os singles Sintonia Nessa Cidade. Produzidas por Rafael Ramos, Deckdisk, elas trazem uma sonoridade diferente dos últimos trabalhos, mas isso é uma coisa que os fãs da banda aprenderam a lidar lá atrás, entre os álbuns Sete Chaves (2009) e Projeto Paralelo (2010).

Com 16 anos de carreira o quinteto já passou por diversas fases de composição, seja numa casa de praia isolada ou dentro do estúdio, o mais importante disso tudo é que eles se reinventam a cada trabalho. Infelizmente, essa mudança leva a uma divisão de opiniões entre os fãs, já que sempre vão existir os que gostam dessas metamorfose e os que preferem a banda como conheceram, vide os casos recentes de Paramore e Linkin Park.

Mais do que a questão da sonoridade isso tudo envolve o amadurecimento da pessoa, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. É um ciclo natural, pois estamos em constante mudança e no fim temos que aprender a lidar com isso. Diego, Leandro, Filipe, Conrado e Daniel nesse novo trabalho só reforçaram a premissa de que se fazemos algo com verdade, isso tende a se propagar de maneira positiva. Como diz a letra de Sintonia: “É um novo ciclo que se inicia”.

Resenha: Scalene + Alarmes @Imperator

           Por Natalia Salvador | Fotos: Thaís Huguenin

O palco do Imperator é famoso por receber grandes shows e ser responsável por proporcionar noites especiais para o público, e dessa vez não seria diferente. A dobradinha brasiliense Scalene e Alarmes fez uma mini tour conjunta e, na última quinta-feira, dia 18 de maio, foi a vez do Rio de Janeiro receber essas duas bandas com  euforia e energia, já conhecidas, do público fiel.

Dos palcos gringos direto para a cidade maravilhosa, Arthur Brenner, Gabriel Pasqua e Lucas Reis fizeram o primeiro show depois de uma série de apresentações pela Europa. O trio passou por cidades de Portugal e Espanha e voltaram ainda mais entusiasmados para conquistar o público. O show contou com músicas do CD ‘Em Branco’, primeiro da banda, e que comemora um ano de lançamento.

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Alarmes @2017

Ao contrário do que se costuma observar, a casa já estava cheia logo nas primeiras músicas e a galera acompanhava o trio com muita empolgação. Além dos movimentos de headbang, o rebolado também marcou presença, como na performance coreografada de ‘Mas não sei’. ‘Incerteza de um encontro qualquer’, ‘Não quero mais’ e ‘Tempo bom’ também marcaram presença no setlist. O palco que podia parecer grande, ficou pequeno para a Alarmes.

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Alarmes e Scalene @2017

Encerrando a turnê do DVD ao vivo, a banda Scalene parecia estar em casa no palco do Imperator. Para um show em dia de semana na zona norte carioca, o público compareceu em peso e encheu a casa. Os fãs do quarteto já são conhecidos pela energia e interação durante as músicas, e familiarizados com o setlist, a galera não parou desde a introdução ‘XXIII’ até o encerramento, com ‘Legado’. Mas se enganam os que acham que isso leva o show a uma mesmice. Toda apresentação da Scalene é uma nova (e boa) surpresa.

A grande novidade da noite ficou por conta dos brinquedinhos tecnológicos usados pelo baixista Lukão, que incrementaram e deram um toque especial às faixas. Além das clássicas rodinhas nas músicas mais agitadas, o carinho entre os amigos que a banda proporcionou ficou claro ao ver tantas pessoas abraçadas durante ‘Amanheceu’. Perto das finalizações e lançamento de um novo CD, Scalene vem mostrando, para quem ainda tinha dúvidas, o por que são merecedores de um Grammy.

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O público apaixonado deixou o Imperator, mais uma vez, com a alma lavada e aquela saudade instantânea. A princípio, o próximo encontro da Scalene com a cidade maravilhosa acontece no Rock In Rio, no dia 21 de setembro. Mas a verdade é que, juntos ou separados, o retorno das duas bandas é garantia de uma noite animada, aguardada e de muito som.

Resenha: Slowdive @Balaclava Fest

Por Ricardo Irie | @Irie_ | Fotos Balaclava Records 


Slowdive e a realização de um sonho que achei que nunca ia concretizar


Num domingo pós Maximus Festival e Bananada, rolou em São Paulo, no Cine Jóia, o Balaclava Fest.

Pra quem não conhece, a Balaclava Records é um selo/produtora independente e já trouxe pro Brasil, artistas como Swervedriver e Yuck.

Nessa edição, contou com Widowspeak, Clearance, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante e Slowdive. Agora que as informalidades passaram, vamos ao relato pessoal.

Acabei chegando tarde e entrei na casa quando o palco estava sendo preparado pro show dos paulistas do EATNMPTD. A casa onde rolou o festival tem um clima muito bom, com projeção no palco e isso ajuda muito a criar o clima perfeito pro som que estava por vir. A atmosfera e a entrega que esses caras tem é fantástica. Acho que todo mundo que estava ali ficou um pouco hipnotizado com tamanha técnica, entrega e sinceridade que uma banda pode trazer. Espero muito ver mais shows deles porque vale muito a pena. Se vocês não conhecem o EATNMPTD, cacem logo no Spotify já!

Ao acabar, entraram os britânicos do Slowdive. Eu gosto muito deles, mas assim, demais mesmo. Os conheci quando caí fundo no shoegaze porque queria ouvir músicas diferentes principalmente pra estudar de madrugada. Conheci a gênese do estilo que é o Loveless do My Bloody Valentine e logo em seguida, o aclamado Souvlaki. Esse álbum foi um fracasso de vendas e a crítica caiu muito em cima deles na época que saiu muito por conta do britpop que estava surgindo com tudo e o movimento grunge, que acabaram abafando toda a cena shoegaze que estava por vir. Particularmente, acho que o mundo não estava preparado pro shoegaze naquela época, mas isso é um assunto pra um vídeo!

 

O Slowdive quando subiu ao palco, eu só conseguia pensar que era muito surreal eu estar vendo eles ao vivo. A banda voltou 20 anos depois e era um daqueles artistas que eu pensava que só assistiria coisas pelo YouTube e mesmo assim, que nunca viriam ao Brasil.

O casamento entre as músicas novas do Slowdive (2017) com as antigas não podia ser melhor. O show começou com Slomo que vem pra dizer que voltaram com força. Continuou com Slowdive, Avalon e depois Catch the Breeze.

Após uma pequena pausa, veio o clássico Crazy for You e a primeira música que lançaram após 22 anos, Star Roving, que foi MUITO bem recepcionada pelos fãs. Em seguida, veio Souvlaki Space Station e minhas lágrimas. Na real, eu já estava chorando antes porque eu realmente estava muito emocionado, mas essa música em particular é uma das minhas favoritas da vida. Pra quem não sabe, eu sou guitarrista e me inspiro obviamente em vários artistas. O Slowdive influenciou muitos artistas que gosto também e essa música em particular, é uma aula de timbres e ambiência, com bastante uso de delays e reverbs com uma atmosfera incrível da voz da Rachel Goswell. Ouso dizer que muito do que nós ouvimos em bandas de post rock e shoegaze, vem de elementos dessa música e desse álbum também.

Depois veio mais outra sequencia emocionante com No Longer Making Time, Dagger (que foi tocada na guitarra ao invés do violão) e que deixou os músicos surpresos pois o público cantou em uníssono e Alison. Alison é outro clássico da banda e pra toda uma geração de shoegazers, é muito importante também. É a faixa de abertura do álbum Souvlaki (1993). Sugar for the Pill também foi outra do novo EP que foi muito bem recepcionada e na minha opinião é a melhor música dele, que conta com um clipe lindíssimo.

When the Sun Hits e Golden Hair fecharam o show com o público em chamas! Após uma pequena pausa, veio o bis com She Calls e 40 Days, pra deixar todo mundo com aquela vontade de vê-los novamente.

Apesar do texto enorme, eu ainda estou emocionado de ter visto o Slowdive ao vivo e não consigo me expressar tão bem quanto gostaria. Ver os seus artistas favoritos e que te inspiram e tem uma ligação emocional é algo surreal e que lava a alma. O Slowdive é uma banda que após 20 anos, colhem os frutos do que eu acho que foi uma das maiores injustiças da música nos anos 90. Anos depois, com o advento da internet, muita gente conheceu a cena shoegaze e sites como a Pitchfork acabaram aclamando toda uma geração “perdida” pra que um novo público percebesse o quão bom era a cena shoegaze e quão importante e ativa ela está hoje em dia.

Se você não conhece o Slowdive e gosta de alternativo com bastante ambiência, corre pra ouvir agora! Apesar de terem lançado o EP Slowdive agora, o álbum Souvlaki tá na listinha de “músicas que você deve conhecer algum dia”. Vai por mim, vocês não irão se arrepender.

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