Já temos um vencedor: Super Mario Bloco zera o carnaval 2016!

Por Guilherme Schneider | @jedyte

Todo carnaval tem seu fim. E, geralmente, ele é na quarta-feira de cinzas. Mas, como aqui no Brasil toda chance de se divertir um pouco é bem-vinda (e necessária), a verdade é que ninguém mais espera o sábado de carnaval para começar a folia – muito menos decreta o final na ressaquenta quarta. Especialmente aqui no Rio, onde a cidade já transpira a euforia dos blocos bem antes da largada oficial.

Até aí tudo dentro dos conformes para quem tem um coração não-amargo. A diferença neste 2016 é que, na minha humilde opinião, o carnaval já foi “zerado”. Afinal, o Super Mario Bloco desfilou de surpresa na quinta-feira anterior ao carnaval, dia 4 de fevereiro. Isso, aquele bloco que toca músicas do clássico game Mario Bros. Irretocável.

Menos é mais
Que o brasileiro tem mania de grandeza isso não é nenhuma novidade. Só ver os nomes de estádios, quase sempre no superlativo (mesmo que não faça sentido algum): Mineirão, Castelão, Machadão e até Moacyrzão (!). Os blocos de carnaval não ficam atrás. Se exalta muito os tradicionais Cordão do Bola Preta ou Simpatia É Quase Amor, geralmente contando o público de milhão pra cima. Porém, o Mario Bloco está (propositalmente) cada vez… menor. E isso é bom.

Apesar de ter sido anunciado oficialmente para sair na quarta-feira de cinzas, o bloco foi transferido em cima da hora, com um comunicado divulgado 24h antes. Tudo para fugir do tumulto. Infelizmente muito gente que adoraria conhecer (ou retornar) ao Mario Bloco não pôde – e está fazendo campanha para um improvável bis. Dia de semana é mesmo foda. Ainda mais com concentração marcada para o solzão carioca das 16h.

Quem conseguiu ir ao 5° ano do Mario Bloco não se arrependeu. Não faço ideia do número oficial, mas, deve ter girado em torno de uns 500 felizardos. Famílias, gringos, cosplayers, gente que nunca jogou Mario… sobretudo gente que seguiu aquela procissão naïf com um sorrisão no rosto. Carnaval é não ter vergonha de ser criança um pouquinho. Cogumelos, Princesas, Estrelas, Marios, Warios e Luigis que o digam.

‘Video Games Live’ Brazuca
Por não estar tão cheio como nos dois últimos anos, os foliões puderam ouvir o som de pertinho. Música de primeira, de uma big band de metais cada vez mais entrosada guiada por Marco Serragrande, o comandante do bloco. Marco toca em diversos coletivos musicais, mas fica evidente o xodó que tem pelo Mario Bloco.

moeda 8 bits
Uma singela moedinha 8 bits dava um charme extra

Mais do que folia carnavalesca esse foi um espetáculo completo, com atos (intencionais, certamente). Há coerência, começo, meio e fim. Que não deixa nada a dever para o Video Games Live. O trajeto nem foi dos maiores: o belíssimo Mirante do Rato Molhado até a Pracinha Odilo Costa Neto. Cara de Santa Teresa.

O único bloco gamer possível?
Para quem tem pavor da ideia de um bloco de carnaval, o Mario Bloco talvez seja o que mais próximo poderia mudar seus planos. Principalmente para a galera nerd/gamer – que já ganharam outros blocos (até maiores) pelo país. O som é instrumental do início ao fim, mas é permitido (claro) cantarolar os temas de Mario. Um convite irresistível para quem já perdeu horas e horas jogando com o herói da Nintendo.

O maior feriadão do ano no Brasil pode até terminar celebrando os grande blocos, desfiles do sambódromo e afins. O barato da democracia da alegria é essa mesmo: divirta-se onde quiser (mesmo em uma maratona Netflix em casa). Mas, tenho certeza que a genuína alegria gamer falou mais alto na última quinta.

E que a trupe de Super Mario Serragrande ganhe o mundo, cada vez mais. Vida longa ao som do Mario Bloco!

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