RIFFCAST #5 – Covers melhores que as originais

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Conheça toda a paixão musical da surpreendente Lucy Mason

Por Thais Rodrigues I @thwashere

Grande parte das descobertas musicais que faço é graças ao Spotify e, mesmo com a correria, não tem um dia em que eu não dedique parte do meu tempo para dar ouvidos a artistas que queiram me contar um pouco da sua história com músicas que falem sobre festejar – ou até morrer de tristeza. De cara e com muita prática, nos tornamos capazes de identificar “mentiras” em algumas faixas, mas quando alguém quer desabafar, não tem como ignorar e seguir em frente, digo apertar o next. Não parar para ouvir é um erro, já que certas faixas imploram por atenção mesmo que de maneira sutil.

Lucy Mason apareceu para mim e não literalmente, de forma acidental enquanto eu me arrumava para dormir. Logo que ouvi White As Snow, tentei identificar características semelhantes a outros artistas e foi em vão, por incrível que possa parecer. O máximo que consegui foi um arrepio ou frio na barriga que até hoje não consigo explicar ou entender, o mesmo de White Coats da cantora Foxes. Apesar de provocarem sensações semelhantes, com clipes onde as respectivas cantoras vão em busca de algo, que não se sabe o que é e fora de casa e também, se encaixarem perfeitamente em uma playlist chill out, o pop de Foxes é mais presente o que torna automaticamente, a faixa de Lucy mais emocionante e que é sua proposta.

A cantora australiana, que atualmente vive em Londres, sonhava em ser cantora desde o jardim de infância e ao longo de sua vida, não satisfeita em ter a vida dos sonhos só em seu mundo imaginário particular, fez com que tudo acontecesse ao seu redor: aprendeu a tocar violão, fazendo suas primeiras apresentações na escola e começou a compor, o que fez com que as comparações começassem a aparecer e de forma desgovernada, mas por cantar sobre seus sentimentos mais sinceros, talvez não seja possível encontrar alguém que tenha tanta paixão pela verdade e pelo mundo, mais especificamente nessa faixa.

Dividida entre se sentir em casa junto da família e desvendar os mistérios ao redor do mundo, Lucy admite em algumas entrevistas que não sabe o que vem pela frente. Com o EP lançado em março de 2014, intitulado White As Snow, a cantora que é movida pela fé tem tudo para ter seu próprio ou qualquer espaço no mundo, transformando o mesmo em seu diário pessoal ou de bordo.

Siga Lucy Mason: @LucyMason

Ouça mais no SoundCloud: Lucy Mason Music

PLAYLIST: A faceta mais sombria de Roberto Carlos

O Rei Roberto Carlos sabe como ‘curtir’ uma fossa como ninguém. O apreço por uma boa deprê vem de longa data – com a sua própria carreira. Entre tantas e tantas músicas românticas há sempre uma pérola melancólica para Radiohead nenhum botar defeito.

O Canal RIFF montou uma playlist recheada de temas tristes do Rei, Tem as belas Traumas, O Divã, A Cigana, Lady Laura, A Estação… se não conhece (e quer saborear uns bons momentos de emoção no Spotify) essa é uma ótima oportunidade – juro! E se faltou alguma outra sugira nos comentários.

Robertos Carlos anos 70

Tem preconceito com o som de Roberto Carlos? Hora de conhecer uma parte sombria da carreira dele – e que passa longe dos especiais de fim de ano da televisão.

Ouça e inscreva-se na playlist: https://goo.gl/Y3qnVa

Perfil do RIFF no Spotify com outras listas: https://open.spotify.com/user/canalriff

Site do Roberto Carlos: http://www.robertocarlos.com/

Segunda-feira é dia de LIVE no Canal RIFF!

O Canal RIFF realiza lives em todas as noites de segunda-feira. Alternando entre os programas RIFFCAST (debate sobre um tema específico sobre música) e Caçadores do RIFF Perdido (sugestões de bandas pouco divulgadas).

Nesta segunda-feira, dia 26 de outubro, o tema do RIFFCAST será “Covers melhores do que as originais”. O convidado do dia será Diego Padilha, fotógrafo do coletivo I Hate Flash.

Você se lembra de algum cover que ficou mais legal do que a versão oficial? Então coloca lá nos comentários do YouTube e participe com a gente nas lives!

Anota aí: toda segunda-feira às 21h (horário de Brasília).

Inscreva-se no Canal RIFF: https://www.youtube.com/CanalRIFF

RESENHA: Fresno e Canto Cego no Imperator

Por Ricardo Irie (texto e fotos) I @Irie_

Sábado, dia 24, rolou mais um show da Fresno da Tour de 15 anos de carreira, estes que já foram documentados em um DVD emocionante e memorável.

Ver uma casa de show como o Imperator lotado e por uma banda que podemos considerar recente (digo isso porque não é nenhum medalhão do rock clássico nacional) é algo bem animador, ainda mais em um espaço com ótima estrutura pra shows (e preços bons pra cerveja).

A abertura ficou por conta da Canto Cego, uma banda carioca que é muito interessante. Foi o meu segundo show e já conhecia eles por acompanhar pela internet. Mesmo que você não curta o tipo de som que eles fazem, a presença de palco, técnica e entrega da vocalista é algo que é um espetáculo à parte. Do que eu conheço, julgo como uma das melhores vozes daqui do Rio de Janeiro da atualidade (quiçá do Brasil) porque tem muita personalidade.

Canto Cego

A Canto Cego é uma banda que acredito que irá crescer bastante, mas ainda existem alguns pontos que não me fazem ser um fã. Acho que a vocalista é a única que está no conceito artístico da banda. É a única que vejo se vestindo e se portando com diferencial. O guitarrista tem uma presença de palco muito foda, mas olhando pro resto dos integrantes, parecem que são como uma banda de apoio ou apenas mais uns músicos quaisquer. Ao olhar o show, percebo isso e é algo que particularmente me incomoda – porque no mar de tantas bandas de rock sem graça que existem hoje em dia, ter diferencial é algo que conta muitos planos.

Enfim, o show da Fresno.

Não foi tão empolgante pra mim pois já assisti o DVD várias vezes, assisti o show anterior da Fundição Progresso e os setlists foram os mesmos.

Independente disso, a abertura do show com À Prova de Balas é algo que arrepia. A sequência, Die Lüge, também é algo que empolga muito!

Logo em seguida vem Manifesto que é uma música que os fãs gostam muito; A Minha História Não Acaba Aqui; Desde Quando Você Se Foi e Eu Sei.

Dentre os grandes destaques desse setlist, Redenção (já é um clássico do emo nacional), Diga parte 2, Relato de Um Homem de Bom Coração que emenda em Milonga (e que fez toda a casa cantar junto a parte que o Tavares gritava), Infinito (que tem um refrão ótimo), Quebre as Correntes, Onde Está e o fim com Revanche.

OLHA O SHOW DE HOJE NO IMPERATOR. Vídeo por @helinhofazolato.

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O Lucas Silveira sempre que pega o violão ou vai pro piano, toca algumas coisas que não estão no setlist. Dentre elas, rolou Alguém Que Te Faz Sorrir, Não Leve a Mal e Se Um Dia Você Não Acordar.

A Fresno é uma banda que tem arranjos muito ricos e as palavras de incentivo do Lucas o fazem ser um artista muito maior. A evolução nos arranjos e letras também é algo a ser notado. Não é à toa que os considero uma das melhores bandas do Brasil. Pouca gente nota isso e até os vê com um certo preconceito por terem sido do movimento emo (que foi famigerado no Brasil e que tentarei defender em algum vídeo em breve no Canal RIFF no YouTube), mas o som que eles fazem é muito diferente de tudo o que existe e existiu aqui no nosso país.

Fico no aguardo de mais e mais turnês passarem pelo Rio de Janeiro e que os próximos lançamentos continuem sendo, parafraseando-os, Maior Que As Muralhas.

  • Nunca é demais lembrar:

RESENHA: Muse ao vivo – expectativa x realidade

Por Gustavo Chagas (texto e fotos) I @gustavochagas

Eu nunca dei tanta atenção pro Muse até 2013. No dia em que eles foram headliners do Rock in Rio, a banda que eu mais queria ver era o Offspring. Ainda bem que eu gosto de Offspring, senão eu teria perdido um dos melhores shows que eu já vi na vida.

O que torna algo em algo especial? Pra mim é quando a realidade supera a expectativa. A realidade naquele dia de RiR era ‘tomara que esse show seja curto porque eu tô cansado’. Eu não estava preparado pra aquilo. Supremacy e Panic Station, as duas primeiras do show, vieram com um jab e um direto limpos e potentes no meu queixo. “Puta que pariu!!”, eu conseguia falar isso até o show acabar.

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Um ano depois eu fui pra vê-los no Lollapalooza. Dessa vez, a expectativa tava beeem maior. Na semana do show sai a notícia de que o Matt estava com problemas na voz. A expectativa virou preocupação. O que poderia ser um baita problema, acabou se transformando numa benção disfarçada. Pra compensar a falta de voz do vocalista, o Muse abusou dos seus famosos intros e outros (teve HEAD UP DO DEFTONES), tocou um cover do Nirvana (!!!!) e escolheu músicas obscuras, como a desconhecida Yes Please. Expectativa superada pela realidade once again.

2015. Pelo terceiro ano seguido eles vem pra cá. E dessa vez em um lugar no qual eu poderia assisti-los de bem mais perto! Seguindo nessa p.g. expectativa exponencial, dessa vez eu ficava me perguntando: O que vai ser diferente dessa vez?

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Na semana do show eu recebo uma notícia que me deixou mais feliz do que quando eu ganhei o boneco do Shiryu, o Canal RIFF conseguiu o credenciamento para cobrir o show!!!!! HOLLY MOTHERFUCKER!!!! EU VOU PODER FOTOGRAFAR O MUSE!!!!! MOTHERFUCKING MUSE!!!!!!!

Chego no HSBC Arena. Sou credenciado. Tomo café. Preparo a câmera. Assisto ao show da Kita. Fudeu. É agora!

Sou encaminhado ao fosso dos fotógrafos. Eu, que na vez que assisti mais de perto um show deles, foi a uns mil km de distância, tava a ali há poucos metros. Antes de começar, a realidade ja tinha chutado o traseiro gordo da expectativa. Eu não tiro foto em show há tanto tempo, não sei se pegava mal transparecer que eu era . Essa dúvida rolou ate o segundo acorde de Psycho, a música que abriu o show.

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Nas duas seguidas, Reapers, e o clássico Plug in baby, eu e toda HSBC Arena estávamos pulando. The Handler (MELHOR música do último CD), a porrada dubstep Unsustainable, a pegajosa Dead Inside e porrada Hysteria vieram na sequência. Pedida em peso desde o show do ano passado, a jurássica Muscle Museum foi finalmente tocada, e a galera fez questão de mostrar pra banda o quanto eles estavam felizes.

Com uma sequência matadora com os seus maiores sucessos Supermassive Black Hole, Time is Runnig Out, Madness entre outras, o Muse, depois de pouco mais de uma hora de show, deixa o palco. No bis estiveram presentes a nova Mercy e a épica, grandiosa e malevolente Knight of Cydonia. Mais alguém dá um chutinho no ar quando vai começar aquela parte pesada dessa mésica? Ou só eu e a minha mulher fazemos isso? Me avisem!

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De uma forma ou de outra, o Muse arruma um jeito de pegar a expectativa e subvertê-la. Na próxima, mesmo que você não seja tão fã da banda, vá. Sério. Vá! Já na minha próxima, vou com as expectativas zeradas, por que melhor que essa sequência de três shows que eu fui, é impossível ter.

Ouviu, realidade?

  1. setlistPsycho
  2. Reapers
  3. Plug In Baby
  4. The Handler
  5. The 2nd Law: Unsustainable
  6. Dead Inside
  7. Interlude
  8. Hysteria
  9. Muscle Museum
  10. Apocalypse Please
  11. Munich Jam
  12. Madness
  13. Supermassive Black Hole
  14. Time Is Running Out
  15. Starlight
  16. Uprising
    BIS:
  17. Mercy
  18. Knights of Cydonia

RESENHA: “Circo Voador, A Nave” – na qual você deve embarcar (de novo!)

Por Guilherme Schneider I @Jedyte

Quem é do Rio de Janeiro e costuma ir a shows certamente tem uma opinião formada sobre cada casa de espetáculos. “Gosto mais dessa”, “Aquela é ruim de chegar”, “Detesto a acústica daquela”. Costumo ouvir muito mais elogios sobre o Circo Voador do que críticas. Principalmente de quem não vê o local como uma simples casa de shows.

O lugar tem história. Tanta, mais tanta, que precisou de um documentário e um livro para reunir parte delas: “Circo Voador, A Nave”, que estreou nesta sexta-feira (23) nos cinemas cariocas.

O Canal RIFF foi convidado para acompanhar de perto a pré-estreia do filme dirigido pela estreante diretora Tainá Menezes. Em pouco mais de uma hora e meia o filme nos afunda em uma densa viagem sonora e afetiva.

Impossível não lembrar de shows marcantes por lá, especialmente se você também for aqui do Rio.

O primeiro show que fui na vida foi lá: o animado Rotnitxe, dia 28 de junho de 1994. Só sei a data porque fui ao Circo assistir o empate entre Brasil e Suécia (1 a 1) na Copa do Mundo de 94. Depois do jogo, o show, em um Circo roots – uma época provavelmente com uma democracia mais anárquica na casa.

A verdade é que o Circo Voador já passou por várias fases, desde 1982 (ano em que nasci) quando ‘pousou’ no Arpoador. O filme mostra a vocação polivalente do espaço desde seu DNA. Um lugar que era ‘point de doidão’, cresceu e se firmou na Lapa. Aliás, transformou a cara da Lapa, como contam os depoimentos do longa.

E, por falar em depoimentos, o destaque do filme são as vozes de quem ajudou a escrever a história de lá. João Gordo, Tom Zé, Marcelo D2, Marcelo Yuka… histórias maravilhosas! Além de depoimentos gravados em imagens raríssimas, como de Tim Maia – um habitué daquele palco. Há também um rico apanhado de imagens raríssimas – como Caetano Veloso cantando com Cazuza, por exemplo.

Certamente você também deve ter alguma história do Circo Voador. Eu mesmo carrego no supercílio uma cicatriz de lá (por conta de um mosh dado durante o show da Bakuhastsu em 2007). Inesquecível.

JedyteEsse “caos” único do Circo Voador ficou marcado na minha cara

Essa permissividade para o público invadir o palco, dar moshs, e protagonizar rodas homéricas, fez do Circo um lugar único. Um canto onde até assistir do lado de fora valha a pena – “vi” o lendário show do Franz Ferdinand em 2006 assim, debaixo dos arcos.

Nesse ponto o documentário peca um pouco – mas com justificativas! Bandas gringas não liberaram imagens de seus shows por conta da burocracia de muitas gravadoras. Os custos aumentariam muito, e a produção preferiu focar no nacional. Justo. Ainda mais para uma produção 100% independente, feita ao longo dos últimos anos.

Da vocação de espaço polivalente, que abriga projetos sociais diversos, ao espírito de amplificador de ideias. O Circo sempre estará lá (mesmo que tentem derrubá-lo desde sempre), para “aplacar seus demônios”, como definiu Tom Zé, o dono das falas mais interessantes.

O filme é obrigatório para você, que já curtiu algum show lá. E, acredite, já ouvi várias vezes a frase “esse foi o melhor show da minha vida”, ao deixar o Circo – com a alma lavada, claro.


Confira as oito salas de cinema do Rio onde o ‘Circo Voador – A Nave” está em cartaz em sua primeira semana:

  • Estação Net Barra Point – Sala 1 (Barra da Tijuca)
    14:50 | 18:50
  • Estação Net Rio – Sala 1 (Botafogo)
    14:30 | 18:50
  • Cine Museu da República (Catete)
    16:20 | 20:00
  • Odeon (Centro)
    18:20
  • Estação Net Gávea – Sala 1 (Gávea)
    21:40
  • Ponto Cine (Guadalupe)
    14:00 | 18:00
  • Candido Mendes (Ipanema)
    14:10 | 18:10
  • Cine Santa (Santa Teresa)
    15:10 | 19:10

RESENHA: O intenso baile de Belle & Sebastian

Por Thais Rodrigues I @thwashere I Fotos Gustavo Chagas

Ao assistir (500) Dias Com Ela, muitas meninas automaticamente mudaram seus status no subnick do MSN ou no Whatsapp para “colore a minha vida com o caos do problema”. Tudo bem parecer bem poético e enigmático a princípio, mas há muito mais a ser entendido nessa frase aparentemente cheia de significado que o filme ou a própria protagonista Summer Finn, interpretada por Zooey Deschanel, deixaram transparecer.

A banda Belle & Sebastian trouxe seu festival com cara da década de 50 na última sexta-feira (16/10) para o Rio de Janeiro, mais exatamente no Vivo Rio, onde a única regra era não parar de dançar. Stuart Murdoch (vocalista) pedia a todo o momento que acendessem as luzes para se certificar de que estava fazendo um belo trabalho colocando todos aqueles corpos e pés saltitantes para promover um grande baile. Ele mesmo se rendeu a passos invejáveis dignos de gritos da plateia.

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Logo aquela frase de uma música da própria banda começou a fazer sentido. Não havia a menor possibilidade de parar de sorrir a cada música e, até os mais emocionados não deixaram o choro nem pedir licença. A alegria já havia tomado conta de todas as pessoas, inclusive de alguns seguranças que de vez em quando, davam uma espiadela no palco e soltavam um sorrisinho. Mas, como ainda faltava a parte do “caos”, eis que fomos surpreendidos.

Desde o início do show, Stuart em especial demonstrava-se imensamente feliz por estar de volta ao Brasil e depois de muito tempo e, com isso, e a todo o momento de novo, gostava de ter certeza de que a banda estava agradando. Durante a apresentação de mais uma música emblemática do repertório, o mesmo jogou o violão no chão com uma violência considerável e em seguida, chutou o microfone e por fim, mas ainda não o fim que queríamos ou que pelo menos era esperado, retirou-se do palco deixando todos, inclusive os outros integrantes da banda, bastante confusos. O jogo de cintura não foi o suficiente e de repente, ali estava o “caos” que faltava.

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Depois de alguns minutos, Stuart voltou ao palco para a felicidade de todos os empolgados. Pediu perdão e disse o quanto estava frustrado por estar perdendo a voz em um show tão especial e o que pensávamos ter sido um ataque de estrela graças a uma falha no som ou algo parecido, era na verdade preocupação em não decepcionar pessoas importantes. Não existiam mais barreiras entre a plateia e a banda e tudo virou festa em “The Boy With The Arab Strab”.

Alguns fãs e até eu tivemos a sorte de nos juntarmos à banda para coreografar a felicidade em saber lidar com problemas que fazem parte da vida. Essa história de dois passinhos pra lá, dois passinhos pra cá não tinham vez. Estávamos livres para, se quiséssemos, nos juntar a banda. Uma das meninas do grupo, inclusive assumiu os vocais o que garantiu nossa presença no palco, e com bastante presença de palco, em “Legal Man”.

Foto por Lucas Tavares (1)Foto: Lucas Tavares

Ao voltar à plateia, a sensação de ter ido diretamente ao paraíso e voltado não era o suficiente para descrever o quanto foi especial dividir o palco com pessoas tão incríveis e harmônicas. Sarah nos mostrou que fofa é pouco ao cantar “The Power Of Three” e Stevie parecia representar o elo entre todos os outros membros, caso algo desse errado, sem falar que tirou muitas risadas durante a apresentação. Mas se tem alguém que roubou muito corações foi Bobby, com todo aquele ar misterioso e blasé, que mal se movia, e mesmo assim, não deixava de lançar olhares apaixonantes e que deixaram várias pessoas ao redor sem o tal jogo de cintura.

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Depois de voltar para um bis, deixar uma lição valiosa de que não se pode perder a cabeça e transformar o Vivo Rio também em uma pista de dança com músicas do álbum “Girls In Peacetime Want To Dance”, lançado esse ano, a banda favorita de Summer Finn, depois de Smiths e Beatles, fez com que todos levássemos para casa mais que um pôster do Queremos.  A experiência do show foi completa, assim como a vida, que hora imita arte, mas que nunca nos engana sobre o que é a vida de verdade.

setlist

  1. Nobody’s Empire
  2. I’m a Cuckoo
  3. The Party Line
  4. Seeing Other People
  5. Expectations
  6. Allie
  7. Perfect Couples
  8. The Stars of Track and Field
  9. The Power of Three
  10. Electronic Renaissance
  11. Sukie in the Graveyard
  12. We Rule the School
  13. Dog on Wheels
  14. The Boy with the Arab Strap
  15. Legal Man
  16. The State I Am In
    Bis:
  17. Get Me Away From Here, I’m Dying
  18. The Blues Are Still Blue

RESENHA: Spoon apresenta a trilha sonora perfeita para a vida

Por Thais Rodrigues I @thwashere I Fotos IHateFlash

A música tem um grande papel na vida de cada pessoa e também, nas experiências vividas por cada uma delas. Além de fazer toda a diferença em um momento ou evento do cotidiano comum, transforma até qualquer ida ao ponto de ônibus em uma cena cinematográfica. Discute-se muito sobre isso em “Begin Again”, “Nick & Norah’s Infinite Playlist” e “Going the Distance” e como a música pode mudar pessoas, histórias e pontos de vista.

O Sacadura 154 recebeu a banda Spoon na última quinta-feira (15/10) da melhor forma possível: com pessoas que realmente acreditam no poder da música. Dessa vez, o fato da banda não ser tão popular, com hits discretos, porém dignos de respeito e admiração, ajudou na hora de reconhecer os fãs e reunir pessoas que sabem apreciar de forma pacífica um som enérgico sem estarem munidas de julgamentos ou reclamações insistentes, implorando pela próxima atração.spoon rj

Mesmo as pessoas que nunca tinham ouvido falar da banda até o anúncio do show, realizado pelo Queremos, não conseguiam ficar paradas durante a apresentação da banda que contagiou a todos com sua presença de palco peculiar. Eles realmente sabiam o que estavam fazendo a cada música e pela primeira vez em muito tempo, assisti a um show realizado pela própria banda. Não foi egoísmo ou falta de “agora é com vocês” e sim uma grande parceria, onde a banda não exclui o público e vice versa.

O vocalista Britt Daniel, com toda sua presença vocal, deitou e rolou, literalmente. Não foram necessários todos aqueles gritos histéricos que já fazem parte de shows para que quem estivesse assistindo, pudesse retribuir em energia que logo fez com que toda a banda vibrasse em harmonia de volta.

O som quase que idêntico ou talvez até melhor que os álbuns gravados desde 1996, trouxeram de volta a esperança do fim da fase de experimentação da música, onde as mesmas deixam de se tornar produtos descartáveis para serem apreciadas com bastante atenção. A cada intervalo entre uma música e outra, podia-se sentir a expectativa no ar já que as pessoas não tiravam os olhos do palco e muito menos os pés do chão.

Ao término do show, pode-se perceber que lentamente as pessoas foram voltando à realidade e saindo do transe natural deixado de presente em terras brasileiras. A atmosfera do show nos levou para dentro de um filme com quê de sessão da tarde, onde a música ficava por conta da banda que não é a mais bonita da cidade, e talvez, nem a mais tocada nas rádios, mas com toda certeza a trilha sonora perfeita para a vida toda.

setlist

  1. Rent I Pay
  2. Knock Knock Knock
  3. The Way We Get By
  4. Don’t You Evah
  5. Small Stakes
  6. The Ghost of You Lingers
  7. The Beast and Dragon, Adored
  8. Satellite
  9. I Turn My Camera On
  10. Inside Out
  11. Do You
  12. Outlier
  13. I Summon You
  14. Don’t Make Me a Target
  15. You Got Yr. Cherry Bomb
  16. TV Set (cover de The Cramps)
    Bis:
  17. Black Like Me
  18. The Fitted Shirt
  19. Got Nuffin
  20. The Underdog