RESENHA: Paradise Lost e Anathema juntos em uma noite irretocável

Por Guilherme Schneider I @jedyte 

Mais do que assistir a um show, ou mesmo ouvir uma música, quem esteve no Circo Voador nesta última terça-feira (8) sentiu. Diante de Paradise Lost e Anathema os fãs sentiram um show – principalmente na pele arrepiada e nos ouvidos, pra lá de agradecidos e agraciados. E isso não é pouco.

O que essas duas bandas inglesas fizeram naquele palco foi do profano ao sagrado, invocando uma gama de emoções. Tinha gente chorando, contemplando boquiaberta, cantando alto… querendo participar ao máximo.

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Fotos: Daniel Croce

Bom, mas até aí tem uma penca de shows que poderiam se enquadrar nesta descrição, certo? Eis aí o dilema de qualquer resenha. Às vezes, no calor do momento, há uma tendência de hiper-valorização do que acabou de ser visto. Em quantas saídas de shows você já não ouviu um passante dizer “cara, esse foi o melhor show da minha vida”. Pode até ter sido, claro – mas vai que foi ‘apenas’ aquela bela passionalidade que a música proporciona?

Mas, dessa vez foi diferente. Juro.

Antes mesmo dos shows começarem (super cedo, diga-se de passagem, às 20h30) já havia uma atmosfera diferente. O clima era tão bom que parecia que todo mundo ali era amigo. Provavelmente a maioria já se esbarrou em shows undergrounds, ou talvez em alguma pista de DDK ou afins.

A terça-feira chuvosa que fez a alegria de centenas de fãs (casa muito cheia, com pelo menos mil presentes) do Paradise Lost, banda que abriu a noite. Foi o retorno do Paradise ao Brasil após nada menos do que longos 20 anos. A maioria ali até podia ser nascida na época, mas foram poucos os sortudos que puderam acompanhar o Monsters of Rock de 1995, com Ozzy Osbourne, Alice Cooper, e o novato Paradise Lost – que mal havia acabado de lançar o já clássico Draconian Times.

Fato é que o povo estava sedento por um show deles. Hoje, a banda liderada por Nick Holmes pode flertar com até com synthpop, ou mesmo se manter com segurança naquela origem criada por eles mesmos do tal do Northern Doom  essa mística fusão do doom com o death metal. Não importa, chame como for. Mas o Paradise Lost ainda é muito gótico para um final de semana.

A inusitada terça chuvosa serviu para descarregar as energias cantando junto com Holmes e sua voz potente. A banda abriu com a porrada The Enemy, ganhando o público nos primeiros acordes. Refrão fácil – pra cantar junto sem dúvidas.

Durante um pouco menos de uma hora e meia o Paradise Lost revisitou toda a sua carreira. Canções de álbuns de diferentes fases como Shades of God,  Draconian Times e In Requiem foram intercaladas pelo álbum do momento – o bom The Plague Within, um dos mais pesados de 2015.

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Fotos: Daniel Croce

A banda sentiu também a participação do público, que batia palmas a todo momento – como que em sinal de gratidão. Holmes passou por cima do problema no laptop da banda (que desempenhou o papel do tecladista), e não decepcionou.

Ouvi fãs do Anathema dizendo que não conheciam Paradise Lost direito e que agora ficaram com vontade de (finalmente) conhecer. Destaques para o flerte eletrônico de Isolate (soando até como Rammstein), e as clássicas Hallowed Land, Faith Divide Us -Death Unites Us e Say Just Words, que fechou o show brilhantemente.

Aí veio o Anathema. E, sem dúvidas foi um acerto o Anathema vir depois do Paradise Lost. A impressão que dava é que na verdade a maioria estava ali para ver a segunda banda. E logo de cara uma catarse coletiva, com a música Anathema, que abriu o show, e a sequência com Untouchable partes um e dois.

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Fotos: Daniel Croce

Dava até pra ter ido embora depois dessas. Simplesmente uma das músicas mais emocionantes que já ouvi. A resposta do público foi imediata, alta e clara: estava bom demais.

Mas, felizmente, o show não parou por ali. O Anathema trouxe a turnê do belo (e progressivo) álbum Distant Satellites, lançado no ano passado. Além do trabalho mais recente, a banda não esqueceu de revisitar antigos sucessos – e mudou o setlist em relação a shows anteriores.

Uma boa surpresa foi a inclusão da música Deep, que abriu o álbum Judgement, de 1999. Aliás, álbum esse visto como um divisor de águas. Ouvi por ali no Circo Voador quem gostava apenas da fase “pré-judgement”, com a pegada mais doom, e quem preferiu a evolução que veio gradualmente – pelo visto a maioria.

É um prazer ver a versatilidade do Anathema. Há músicas com dois vocalistas; outras com dois bateristas; já em outras o baterista toca teclado; ou o vocalista ataca no sintetizador… enfim, são músicos com “M” maiúsculo.

Quem roubou a cena foi o guitarrista Daniel, um dos três irmãos Cavanagh que comandam a banda. Vestido com uma camisa do Nirvana, o comunicativo e super carismático guitarrista regeu o público. Lógico que as vozes de Vicent Cavanagh e de Lee Helen Douglas foram um show à parte – apesar de problemas técnicos no som da casa, especialmente no retorno.

Thin Air, A Natural Disaster, Universal… um desfile de belas composições, de uma banda cada vez mais madura – e que não tem medo de seguir se reinventando e explorando os seus limites. A sintonia era boa, e Vicent prometeu: “Essa é a nossa primeira vez aqui no Rio, mas não será a última. Quero voltar para cá, mesmo que seja sem a banda. Definitivamente há algo aqui”.

Foi Daniel quem chamou Nick Holmes de volta para o palco. A cereja do bolo foi ver o vocalista do Paradise Lost retornando na saideira para cantar (mesmo que no improviso) Fragile Dreams. Holmes passou boa parte do show do Anathema ao lado do palco, tomando umas biritas por quase uma hora e quarenta minutos. Até por isso já foi se desculpando e pedindo para que ninguém filmasse – de brincadeira, claro. Felizmente muita gente filmou e… que desfecho, que noite!

Setlist do show do Paradise Lost:

Setlist do show do Anathema:

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Voz de prisão, hinos feministas, e lutas ninjas… veja o Top 10 dos momentos inesquecíveis de Madonna ao vivo

Por Lucas Sales I @LucasAtende

Sabe aquelas lendas da música que estamos acostumados a assumir como estrelas absolutas? Elas ralaram muito para chegar lá. É o que prova a cantora Madonna que aos seus 57 anos e 33 anos de carreira, que pode amargurar alguns insucessos nas paradas musicais, mas ainda é unanimidade para muitos quando o critério são os palcos.

Madonna Rebel Heart Tour
Dona do título de turnê feminina mais lucrativa de todos os tempos com a Sticky & Sweet Tour, que fez em 2008 cerca de US$ 450 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão), e em segundo lugar no mesmo ranking a MDNA Tour – dela mesma – tendo feito US$ 300 milhões (R$ 1,1 bilhão), provam que ela ainda é unanimidade em concertos de música pop.

A referência em performances femininas está para voltar com sua turnê Rebel Heart Tour, que começou ontem, dia 10 de Setembro, e aproveitando o alvoroço das redes sociais em expectativas sobre a nova turnê mundial de Madonna, o Canal RIFF separou os 10 principais momentos ao vivo aonde ela nos deixou de boca aberta.

10º – Like a Virgin – Blond Ambition Tour

Nada mais justo do que começar o ranking com um de seus maiores hits dos anos 80.

Em tempos de Miley Cyrus semi-nua rebolando em rede nacional, talvez você não entenda muito dos tabús que a Madonna ajudou a quebrar. Com o icônico sutiã de cone, ela recebeu voz de prisão em Toronto, no Canadá em 1990 (há 25 anos) por causa desta performance.

9º – Causing a Commotion – Who’s That Girl Tour

Quem vê a Madonna glamourosa nos palcos de hoje em dia mal deve imaginar o tanto de feijão-com-arroz que a cantora teve de comer. Com o glamour longe do que vemos hoje em dia nos palcos, esta performance esbanja energia e eletricidade em sua segunda turnê mundial, a Who’s That Girl Tour.

8º – Don’t Tell Me – Drowned World Tour

Após oito anos longe de turnês, a Drowned World Tour marcou a volta da cantora, que por aquela época acumulara três cds sem turnê e o filme Evita em seu currículo. Já mãe, voltou renovada para os palcos com essa divertidíssima performance onde ela encarna uma cowgirl.

7º –  Everybody – Confessions on a Dancefloor Promo Tour

De volta a 1982, Everybody foi o primeiro single da cantora que faz questão de renovar e atualizar de tempos em tempos. Com roupagem nova  respeitando ritmo e acordes criada pelo produtor musical Stuart Price, a cantora apresentou a música em 2005 na turnê promocional do seu cd de trabalho na época, o álbum Confessions on a Dancefloor.

6º – Sky Fits Heaven – DWT

Num tempo em que aparatos tecnológicos como telões gigantes ainda eram novidades, encenar uma luta de ninjas também não era lá um grande clichê na época. Lembro de ter ficado de boca aberta quando … ah, assiste aí se não estrago a surpresa!

5º – Open Your Heart – MDNA

Uma coisa interessante que ela tem feito desde a Re Invention Tour em 2004 é trago um estilo folk de música para suas turnês. A popstar conta no video que conheceu a dupla Sagarra Jo enquanto viajava e os trouxe para sua turnê. No video seu clássico dos anos 80 Open Your Heart com um clima descontraído pela dupla de música folk no instrumental.

4º – Express Yourself – Truth or Dare

O hino feminista de 1989 que gritava “não se deixe pra segundo lugar” trás uma Madonna que insiste em não se desatualizar. Performada há 25 anos atrás, a produção e qualidade da performance poderia facilmente figurar entre qualquer turnê de qualquer artista topo de linha!

3º – Vogue – Re Invention Tour

Certamente o maior hino da cantora, é certamente o ápice de qualquer turnê em que o hit Vogue está presente. Depois de cantar algumas vezes o sucesso, por que não separar uma vezinha pra cantar de cabeça pra baixo? E é dessa forma que ela inicia sua turnê de 2004.

2º – Into the Groove – Sticky & Sweet Tour

Ter mais de 30 anos de carreira e apelar para títulos antigos não deve ser tarefa fácil pra nenhum artista com essa extensão de carreira. Mas eis que mais de duas décadas depois ela ressurge com o hit do filme ‘Procura-se Susan Desesperadamente’. E vou contar: foi o ponto alto unânime entre os fãs em sua turnê de 2008.

1º – Hung Up – Confessions Tour

Olha, vou contar que encerrar um top 10 de performances de uma artista com carreira extensa como essa não foi tarefa nada fácil. Mas dessa vez vou jogar sem arriscar no duvidoso e apostar no passinho de Hung Up da Confessions Tour (2006), direto do mais bem sucedido hit da mais aclamada turnê do nosso patrimônio tombado favorito do pop.

setlist

  1. Iconic
  2. Bitch I’m Madonna
  3. Burning Up
  4. Holy Water / Vogue
  5. Devil Pray
  6. Body Shop
  7. True Blue (Acústica)
  8. Deeper and Deeper
  9. HeartBreakCity / Love Don’t Live Here Anymore
  10. Like a Virgin
  11. S.E.X.
  12. Living for Love
  13. La Isla Bonita
  14. Dress You Up
  15. Who’s That Girl (Acústica)
  16. Rebel Heart
  17. Music
  18. Candy Shop
  19. Material Girl
  20. La vie en rose (Cover de Édith Piaf)
  21. Unapologetic Bitch
  22. Holiday

*Setlist do primeiro show da nova turnê, em Montreal, Canadá, 9/9*